Fim

Depois de chegar,
vivi.
Foi tão bom poder chegar e viver…
Enquanto estava lá,
fiz.
Foi tão bom poder estar lá e fazer…
Depois que fiz,
Saí.
Foi tão bom poder fazer e sair…

Viver em Villaviciosa de Odon
foi estar longe de casa.
Andar por volta de Madrid
foi tentar não ser turista.
Viajar pela Espanha
foi ir fazer uma visita.
Explorar os confins de Portugal
foi conhecer parte do passado.
Andar até santiago
foi ir de passo a passo.
Voltar pra casa
foi terminar a jornada.

Voltar para o mesmo lugar
depois de sair um pouco
não é recomeçar como se parou,
é poder continuar com algo novo.

O descanso de voltar para casa
é um descanso descomunal.
É poder deitar em sua própria cama
e roncar em paz, tipo animal.

O descanso de voltar para casa
não merece descrição.
Enquanto penso em metáforas
escuto a voz do meu colchão.

O descanso de voltar para casa
é de poder voltar para casa.
É onde se deixou parte da vida
e onde se abastece a alma.

Blog terminado.

Santiago

Ando para Santiago
num caminho bem conhecido.
Vou a pé, passo a passo
e confesso que vou doído.

Daqui a pouco chego lá
e parecerá que o caminho foi fácil,
mas enquanto faço essa ida
o tempo não passará de forma ágil.

Voltas

Eu sigo por aí dando voltas em linha reta
aproveitando que mundo é redondo.

Os caminhos são diversos
e os sotaques, um barato.
Vou caminhando e me acho
perdido entre esses versos.

Ir é verbo que repito
já que caminhar tem sido o que faço.
Chegar é mero acaso
de decidir se aqui já é lá.

Gosto de andar sem rumo
esperando os atos dos fatos.
No caos é onde eu me acho
a coincidência é minha religião.

Eu sigo por aí dando voltas em linha reta
e sigo dormindo onde ponho meu colchão.
Eu sigo sabendo que meu caminho é findo
eu sigo porque sei que ainda há chão.

Idas

Partir faz parte do ofício
e ir é algo casual.
Despedir é ato comum (não é vício)
e sentir saudade é normal.

Estar indo é ato de curiosidade
querer ver e viver é uma condição.
Parar pode até te deixar à vontade,
mas é bom comer mais que arroz e feijão.

O mundo acontece ao mesmo tempo
e estamos amarrados nesse espaço.
Faz parte de todo momento
absolutamente todos os atos.

Se querer ir é um estado de ser,
ir e conhecer passa a ser razão.
Descobrir como ato falho é viver
aproveitar é mera diversão.

Vou em busca do acaso,
me planejo para o que não espero.
Espero não ser capaz de prever o que faço,
Faço somente o que quero.

Madrid que quase não conheci

Eu passei um bom tempo por aqui (em Madrid)
Que não é Madrid, é Villaviciosa.
Passei meses e dias e horas
estudando e passeando, pensando em como é bom ir.

Mas no fundo sei que não fui direito.
Aproveitei o que foi fruto do acaso:
Por ignorância, preguiça e falta de dinheiro,
o que era planejado ficou deixado de lado.

Eu não fazia ideia do quanto não tinha vivido
até chegar uma amiga que veio de longe.
Ela chegou como uma turista para um eu monge
e me levou para andar pelos cantos da cidade.

Andei pelas ruas que me eram todas novas e estranhas.
Segui minha amiga que andava contra o tempo.
Vi filmes que aqui se chamam películas
e comi comidas típicas com excesso de tempero.

Conheci o dono da loja de bicicleta
peguei carona até a cidade com trono
entrei no museu e vivi como quem espera
sai do museu e sorri pois sei tão pouco.

Em um café numa esquina numa rua qualquer
bebi baileys com expresso e gelo
senti a felicidade de poder perceber que era tarde,
mas que mesmo assim ainda dava tempo.